******
Folha de Óbidos no TwitterFolha de Óbidos no Youtube
sem-pelo

Anuncio

pauxi

Livros

cornelio-livrocanto-livro

Enquete

Ter, 30 de Junho de 2015 20:54

Por seres humanos mais humanizados

Escrito por George Castro
Qualifique este item
(0 votos)
Em geral uso este espaço para falar de alguns aspectos do mundo da educação. Durante estes pouco mais de dois meses tenho chamado atenção para questões, como avaliação, disciplina, envolvimento da família, gestão para resultados e atuação docente. É claro que para abordar estes temas foi sempre importante fazer um aprofundamento teórico. Algo necessário para dar ao leitor uma informação qualificada, essencial para a formação de um ponto de vista embasado e, portanto, crítico. Mas hoje venho aqui tratar de um assunto que à primeira vista não parecerá ter a ver com educação. Hoje gostaria de falar de afetividade. Um tema que vem ganhando espaço, mas que durante muito tempo foi colocado na periferia da discussão dos processos de ensino-aprendizagem e, sendo assim, tem permanecido do lado de fora de muitas salas de aula. Este afastamento deve-se muito ao “paradigma cartesiano”, que se encarregou desde o Século 17 em fazer uma separação entre razão e emoção, concebendo assim um modelo dualista, no qual o homem deve ter atitudes predominantemente racionais e raramente emotivas. Perspectivas como essa (dualista) ignoram que razão e emoção estão intimamente ligadas, integradas em um único ser, que desenvolve seu lado racional a partir das emoções e que ao mesmo tempo possui emoções que emergem da razão. O Físico Fritijoff Capra, em seu livro “Ponto de mutação”, já alertava desde a década de 1980 para o risco dessa separação, e do quanto seria importante promovermos a reconciliação destas duas dimensões do ser humano. Na educação, percebe-se claramente o status superior que o conhecimento técnico ganhou em detrimento da afetividade. Assim, professores preocupam-se em ensinar da mesma maneira como foram ensinados, entendendo que uma boa educação deve ser abrangente, profunda e impessoal. Neste contexto, amor, carinho, solidariedade, compaixão, fraternidade, ciúme, inveja, raiva e outros sentimentos de mesma natureza são temas pouco abordados em sala de aula, talvez porque não sejam encarados como uma discussão relevante. Desta forma, acabam restringindo-se quase sempre as aulas de Literatura, mais como elementos de identificação da obra de um autor do que como ferramenta para o exercício do autoconhecimento dos alunos. E assim vamos formando “brutos bem sabidos”, pessoas que possuem algum conhecimento técnico, mas que são insensíveis no trato com os outros, incapazes de enxergar além de si e dos seus interesses. Seres indiferentes ao que os outros sentem. Por vezes cruéis, alheios ao que podem causar nos outros com suas palavras e atitudes. E antes que alguém imagine que falo dos psicopatas ou dos Serial Killers dos filmes e novelas, alerto que estou chamando atenção para a formação que hoje recebe o homem tido como normal, aquele aparentemente sem nenhuma patologia psíquica dessas: é o engenheiro, o médico, o gerente de banco, o jornalista, o professor. Enfim, somos todos nós. É nesta vacância deixada pela falta de afetividade na educação que se desenvolvem algumas das mazelas morais que vemos hoje, como a falta de respeito com os pais, a violência com os professores, a agressão aos idosos, o maltrato com os animais, a intolerância e o preconceito. Contudo, é necessário que se entenda que uma educação com afetividade não é aquela que se torna permissiva para com o educando, onde ele tudo pode em nome do “carinho” que se deve ter com ele. Isto, pelo contrário, é qualquer coisa, menos educação. A afetividade deve estar presente nas relações, nas discussões e, por que não, até nos conteúdos ministrados. Para servir como referência na formação de juízos de valor e interpretação do mundo. Deve-se usá-la para a compreensão dos limites que devemos ter, do respeito para com o outro que deve estar presente em nossas atitudes, no entendimento do valor da vida humana e na aceitação da diversidade. Talvez este seja o caminho para um mundo menos cruel, em que a emoção e o sentimento tenham a mesma importância que a razão, em que as pessoas tenham mais importância que os objetos, e consequentemente o ser seja mais importante que o ter.

George Castro é supervisor do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio; diretor executivo da Macedo de Castro consultoria educacional; ex-professor da Universidade Federal do Pará e ex-diretor do ensino médio e educação profissional do estado do Pará. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. Fonte: Amazonas Atual
Joomla Templates and Joomla Extensions by JoomlaVision.Com

Adicionar comentário

Este é um espaço de diálogo e troca de conhecimentos que estimula a diversidade e a pluralidade de idéias e de pontos de vista. Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem a intolerância ou o crime. Os comentários devem ser pertinentes ao tema da matéria e aos debates que naturalmente surgirem. Mensagens que não atendam a essas normas serão deletadas.


Código de segurança
Atualizar

Últimos Comentários

top